Torres Vedras

Histórias com Vinho - A inovação tecnológica

01.07.2018

Máquina vitivinícola

No ano em que Torres Vedras e Alenquer são “Cidade Europeia do Vinho”, partilhamos consigo histórias ligadas a esta celebração. Na edição anterior apresentámos a arte e a tradição da profissão de tanoeiro, nesta edição vamos evoluir no tempo e apresentar os avanços tecnológicos que permitem o incremento de qualidade e quantidade da produção de vinho. Contamos esta “história” com a ajuda Mário Baptista e Paulo Brito, sócios da empresa torriense Solmevini.

Se antigamente o vinho era produzido em vasilhas de barro e de madeira, as necessidades do consumidor e a industrialização do processo de produção levaram a que surgissem novas formas de armazenamento e fermentação. As cubas em cimento vieram dar resposta a essas necessidades, mas os avanços tecnológicos fizeram com que fossem substituídas por reservatórios em aço inox, que tem mais durabilidade e garantem maior higiene.

Quer em termos de fermentação, quer de armazenamento, esta indústria procura soluções que passem por materiais de fácil limpeza e manutenção, e por sistemas que impliquem menos mão-de-obra, mas que conduzam à obtenção de vinhos de qualidade. São esse tipo de soluções que a empresa torriense disponibiliza, através de uma vasta gama produtos e máquinas vinícolas em aço inox.

No processo de produção de vinho a inovação tem vindo a aliar-se à tradição, há cada vez mais vinhos produzidos através das novas tecnologias, mas com o amadurecimento e envelhecimento a serem realizados em barris em carvalho francês. Como refere Mário Baptista, “tudo o que é tradicional é bom e está a regressar. Há, por isso, muitos produtores que compram reservatórios aço inox para fazer a fermentação e o armazenamento, mas depois para envelhecimento utilizam barricas de madeira”.

As adegas que começaram por ser estruturas básicas, muitas delas sem recurso a qualquer tecnologia, têm atualmente padrões de exigência que levam a que empresas como esta ofereçam um serviço completo de estudo, projeto e assistência técnica para realização de adegas parciais ou completas. A este propósito Mário Baptista explica que primeiro é necessário fazer a “visita ao cliente, depois o técnico vai ao local fazer o levantamento do projeto para o desenvolvimento do desenho e, por fim, realiza-se a construção da máquina em si e a sua aplicação no local”.

Com a época das vindimas a aproximar-se os dias são atarefados. Por esta altura dão-se os retoques finais num tegão em aço inox que vai ser aplicado numa adega da região. Os tegões são um dos produtos que evoluiu com o aparecimento do aço inox, utilizados para fazer a receção das uvas, eram feitos em cimento mas têm vindo a modernizar-se facilitando o processo de receção de grandes volumes de uva.

A evolução tecnológica é tão galopante que já é possível controlar partes do processo de produção de vinho à distância. Paulo Brito partilha com orgulho que são a única empresa nacional que fabrica electrobombas de pistons com telegestão que são usadas para fazer a trasfega do vinho. “Hoje em dia a evolução das máquinas aumentou muito, consegue-se ter já um grande rigor nessa matéria. As electrobombas, por exemplo, também são uma inovação, possibilitam a utilização do comando à distância para poder ligar e desligar o equipamento”, esclarece Paulo Brito.

Se a introdução da tecnologia e a utilização do aço inox na produção de vinho permitem obter um maior controlo sobre as diversas etapas do processo e simultaneamente torna-lo mais “higiénico” e rápido, a verdade é que também exige um maior acompanhamento da produção de vinho, pela manutenção que as máquinas requerem. Se não fossem estes aspetos distintivos, refere Mário Baptista, “a Tanoaria até está na moda” e, embora deixe esse trabalho para os enólogos, acrescenta que “beber um copo de vinho feito de forma tradicional tem um gosto especial, porque sabemos que é produzido sem a adição de produtos químicos”.


Filipa Sérgio

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