Torres Vedras

C.P. – Terrenos e Bairro

01.05.2018

Fundo Câmara Municipal de Torres Vedras

Série Obras Municipais

Título C.P. – Terrenos e Bairro

Data 1932 - 1936

Dimensão e suporte 1 maço; papel

Cota cx. 21, n.º 263

 

No início do século XX, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, seguindo o exemplo de países como a Bélgica, a França e a Inglaterra, construiu bairros com casas de habitação para as famílias dos seus operários e trabalhadores que, muitas vezes, estavam deslocados das suas terras de origem.

Em Torres Vedras, um pouco mais de meio século após a inauguração da linha férrea que ligava Lisboa à então vila, a C.P. submeteu à apreciação da Câmara Municipal, em reunião ordinária de 6 de janeiro de 1933, o projeto de um Bairro Jardim a construir nos terrenos conhecidos por Quinta da Rega, que, na época, estavam limitados pela Companhia União Fabril, pelos terrenos do Caminho-de-ferro, por propriedades de Joaquim Vaquinhas, de José Inácio Silva e do Dr. Raul de Carvalho, pela Rua Tenente Valadim e pelas ruas que circundavam o Mercado Municipal.                  

 O processo da obra, que pode ser consultado no Arquivo Municipal, é composto por uma memória descritiva e justificativa apresentada pela Divisão de Via e Obras da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses; por plantas com a localização do bairro a construir; e por plantas do tipo de casa para pessoal graduado, do tipo de casa para pessoal braçal, do tipo de casa de habitação para duas famílias e do tipo de cancela e de vedação.  

Dessa documentação, destaca-se o desenho intitulado Perspectiva do Bairro Jardim da C.P. junto à estação de Torres Vedras, assinado por B. Coelho em 1932, e que permite perceber a pretensão de se construir um bairro com capacidade para apenas oito moradias, mas com uma estrutura similar a bairros como o Vila Verde e o Camões, sitos na então vila do Entroncamento.

Com efeito, a consulta do processo permite conhecer uma obra proposta pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses que, numa época em que a chegada do comboio de mercadorias e de passageiros trouxe grandes mudanças a nível viário, económico, demográfico, paisagístico, urbanístico e turístico a Torres Vedras, pretendeu alojar os seus trabalhadores e as suas famílias garantindo-lhes conforto e condições de salubridade com um objetivo mais lato, conducente com os ideais da época: “oferecendo aos seus moradores a possibilidade de se distraírem sã e utilmente cultivando o terreno de que a habitação é rodeada […] afasta-os da taberna, da embriaguês e dos vícios contribuindo assim poderosamente para o desenvolvimento e avigoramento do culto sagrado da família”.

Por fim, para complementar o estudo sobre as mudanças advindas da chegada do caminho-de-ferro a Torres Vedras, aconselha-se a leitura da obra O caminho de ferro em Torres Vedras: impacto da sua chegada, da autoria de Venerando Aspra de Matos.

 

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