Torres Vedras

Matacães, uma surpreendente [re] descoberta!

02.01.2018

De regresso à cidade, um curioso nome faz-nos abrandar e virar em direção a um povoado que se apresenta como Matacães.

Logo à chegada, uma placa indica o caminho para o Santuário do Senhor do Calvário que logo queremos conhecer.

Mais à frente, estacionamos num largo onde as sombras permitem apreciar o lugar e alguns raios de sol ainda aquecem a manhã.

Sentamo-nos num pequeno muro de pedra, por baixo de grandes troncos de duas peculiares borracheiras, salpicadas de pequenas plantas que irrompem aqui e ali, colorindo de vermelho o verde das folhas. A mesma planta que observamos representada no topo do muro gradeado que protege a residência solarenga da Quinta do Juncal.

Através do portão, que se destaca com duas colunas em mármore encimadas pelas armas da família, conseguimos espreitar uma fonte cujo som da água nos embala numa agradável melodia. Num canto, a capela, ao estilo neoclássico, cujo topo é assinalado por uma formosa cruz.

A caminho do destino, acertamos o passo com o relinchar de alguns cavalos, que se fazem ouvir junto à estrada e passamos ao largo da Igreja de Nª Sra. da Oliveira, de origem quinhentista, centrada num acolhedor adro onde se mantem a Oliveira que lhe deu nome.

Seguimos a placa e, junto a um cruzeiro, iniciamos o percurso num trilho acidentado, de terra avermelhada, envolto por cerrada mata de pinheiros, eucaliptos, zambujeiros e carrascos que compõem um perfume intenso a natureza campestre. No topo, avistamos o pequeno santuário construído sobre a rocha. Contornada a ermida, e num pequeno miradouro amuralhado, assumimos o papel de guardiões deste lugar e desenhamos na memória o detalhe de um território onde as vinhas, os moinhos, a igreja e as quintas se destacam.  Em frente da capela, três crucifixos talhados em pedra, representam o calvário que, durante os festejos, são cobertos de flores. Um pequeno trono, também escavado na rocha, convida a repousar! Em conversa com alguns populares, ficamos a saber que a capela pode ser visitada todos os domingos das 15h00 às 17h00.

Voltamos para iniciar a descida e, ao longe, junto a um moinho, identificamos na paisagem o Forte Novo da Ordasqueira, ali bem perto. Seguindo a GR 30 – Grande Rota das Linhas de Torres iremos, com certeza, lá passar!

Seguimos caminho e, para trás, deixamos mais um lugar que recomendamos visitar ou [re] descobrir em Torres Vedras!

Senhor do Calvário
A procissão do Senhor do Calvário celebra-se no Domingo de Ramos. Primeiro, é feita a bênção dos ramos, na Capela do Sagrado Coração de Jesus, na Quinta do Juncal. Depois, a imagem é trazida em procissão, da ermida para a igreja paroquial, onde se celebra a missa da Paixão. A imagem só regressa à ermida no dia 3 de Maio, festa do Senhor do Calvário.

LUNA, Isabel de – «Monte do Calvário, em Matacães: santuário atracção das gentes da região», jornal Estafeta, Torres Vedras: Torres Fénix, 31.03.2004, p. 3.

Gr 30 - Grande Rota das Linhas de Torres
Por montes e vales, percorra o troço da Ordasqueira, marchando por estradas militares que atravessam caminhos de paisagem agrícola e parta à descoberta do território que mudou o destino de Napoleão!