Torres Vedras

O Carnaval nos livros de atas da Câmara Municipal de Torres Vedras

01.01.2019

O Carnaval nos livros de atas da Câmara Municipal de Torres Vedras

Fundo: Câmara Municipal de Torres Vedras

Série: Acórdãos / Atas

Datas Extremas: 1596 - 2001

Unidades de instalação: 131 livros

Os livros de atas da Câmara Municipal que, até 1842, eram designados por Livros de Acórdãos, são documentos onde se registam, resumidamente, a data e o local da reunião do executivo da Câmara, os nomes dos membros presentes e ausentes, os assuntos apreciados e as decisões e deliberações tomadas sendo, por isso, testemunhos probatórios e de extrema importância que nos permitem, também, conhecer a história do concelho e, no caso concreto, a história do Carnaval de Torres Vedras.

Os investigadores locais são unânimes em afirmar que a primeira alusão à existência do entrudo em Torres Vedras foi em 1574, num documento em que um habitante se queixava dos excessos de uma brincadeira chamada “correr o galo”. No entanto, a primeira referência nas atas das reuniões de Câmara data de 6 de fevereiro de 1931, quando Luís Brandão Pereira de Melo e Francisco Alves da Silva pediram a cedência de varas, bandeiras e festão para engalanarem um recinto, na Avenida 5 de Outubro, onde se realizou um “Corso” (assim colocado entre aspas no original) cujas receitas reverteriam para a Colónia Balnear Infantil da Praia de Santa Cruz. Mas foi em 1933, quando o Carnaval torriense conheceu projeção nacional, com propaganda na imprensa, dois dias de festejos com desfile e a presença de mais de vinte mil pessoas, que a Câmara Municipal começou a contribuir financeiramente para a Comissão de Festas do Rei de Carnaval de Torres Vedras. Na verdade, durante mais de quarenta anos, a Câmara concedeu subsídios, assumiu os encargos com o policiamento, as ornamentações e a propaganda, autorizou a ampliação da zona do corso e procurou resolver o problema do armazenamento do espólio do Carnaval, mas nunca assumiu um papel ativo na organização.

Uma vez que o Carnaval se foi tornando uma festa mais institucionalizada, longe das simples brincadeiras de outrora e das celebrações nos locais de encontro da sociedade torriense, a Câmara Municipal, reconhecendo que “estes festejos são indiscutivelmente as Grandes Festas da Cidade, não só pela sua originalidade, mas também e muito principalmente pelo elevado número de milhares de forasteiros que acorrem a Torres Vedras”, interveio, a 5 de março de 1980, e deliberou, por unanimidade, solicitar à Comissão de Carnaval a sua não extinção, propondo uma “íntima e sincera colaboração”, o que não evitou que em 1984 não houvessem festejos, fruto dos problemas financeiros e das graves consequências para a região provocadas pelas inundações de novembro de 1983.

Assumindo a necessidade de uma mudança na organização do Carnaval, de forma a manter a sua tradição, a 13 de março de 1984 foi aprovada por unanimidade a proposta de que a Câmara Municipal, com o apoio da Comissão Regional do Turismo, passasse a organizar o Carnaval. Pela primeira vez em muitos anos, a Comissão apresentou um saldo positivo e ficou exarado, em ata de 26 de fevereiro de 1985, um público louvor ao coordenador do Carnaval, o vereador António Carneiro, bem como a todos os trabalhadores ou contratados, ao pintor José Pedro Sobreiro e aos torrienses que integraram a Comissão organizadora, concluindo o então presidente José Augusto Clemente de Carvalho que “foi a primeira vez que a Câmara chamou a si a organização do Carnaval e em curto espaço de tempo. Face aos resultados apresentados penso que renasce a esperança de que o Carnaval continue como grande festa do distrito de Lisboa”. A partir dessa data, o Carnaval foi-se assumindo como um fenómeno de massas gerido, primeiro, pelo pelouro do Turismo e da Cultura e, desde os finais dos anos 90, pela Promotorres, empresa municipal.

Por fim, além dos livros de atas depositados no Arquivo Municipal, não se poderá esquecer que a história do Carnaval de Torres Vedras está indissociada da imprensa local, como são exemplo A Vinha de Torres Vedras, a Gazeta de Torres ou o Badaladas, assim como dos arquivos privados de curiosos e amantes do Carnaval que, juntos, permitirão conhecer as raízes, tradições e vivências do Carnaval mais português de Portugal.

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