Torres Vedras

Torres Vedras “invadida” e “rendida”…

08.09.2017

Torres Vedras voltou a viajar no tempo e a recuar dois séculos até à época das invasões napoleónicas com a segunda edição do evento Novas Invasões.

De 31 de agosto a 3 de setembro a cidade foi invadida por muita animação com um vasto programa dirigido a toda a família.

Este festival teve como espaço central o mercado oitocentista realizado na zona dos largos de S. Pedro e Wellington. 22 associações e 40 empresas e particulares deram vida a esta recriação que pretendeu "invadir" o centro histórico da cidade com um espírito festivo, tendo a mesma sido expressão da atividade humana do tempo das invasões francesas, rico em vivências e costumes. Este espaço contou com uma animação constante onde esteve presente a autenticidade e o simbolismo associados às Linhas de Torres Vedras.

O Castelo de Torres Vedras e o Forte de São Vicente serviram de cenário para a realização das outras recriações históricas, nas quais o visitante foi convidado a vivenciar o quotidiano de um acampamento militar da época das invasões francesas, o que incluiu demonstrações de tiro com espingarda de pederneira, recrutamento militar da época, demonstrações de tiro de canhão ou recriação do sistema de telegrafia ótica utilizado como meio de comunicação.

Também os mais novos foram convidados a participar neste festival, ficando a saber mais sobre a época das invasões napoleónicas, com a realização de diversas atividades de serviço educativo no Forte de S. Vicente, como as “Linhas ao Cubo”, “Linhas da Memória”, “A Mochila do Soldado” ou “Vamos deitá-los abaixo”.

Houve ainda um conjunto de experiências disponíveis para os que procuraram “vivências alternativas”, como passeios de jipe UMM pelas Linhas de Torres, passeios pedestres guiados pelo centro histórico de Torres Vedras, degustação de gastronomia oitocentista, passeios de burro e carroça ou “jantares com história”.

Seguindo o conceito do evento, o mesmo recebeu uma vez mais um país invasor. Depois do Chile, esta segunda edição do Novas Invasões foi “invadida” pelo Japão, a partir da ligação do concelho e mais concretamente de Santa Cruz com o poeta nipónico Kazuo Dan, que por aí passou no início da década de 70.

Nesse âmbito, de referir a performance original de Min Tanaka encomendada especificamente para esta ocasião, centrada precisamente na presença daquele poeta em Santa Cruz; o eletrizante concerto de Electrified Jet Shamisen Okita; o ciclo de cinema japonês, a par da realização do ciclo de cultura tradicional, intitulado “O Japão e os Japoneses”, no qual, através de ritos partilhados, se deu a conhecer um modo de vida diferente, pleno de tradições ancestrais; e as exposições. “Flâneur by Torres Vedras – Uma Leitura Oriental sobre o Território” e “Flâneur – New Urban Narratives”, do japonês Hajime Kimura e da franco-marroquina Sonia Hamza.

Mas houve mais “invasões” artísticas na edição deste ano do Novas Invasões: as performances de Olivier de Sagazan, Jess Love e das companhias Monolo Alcántara e Res de Res; a exposição “Onde o Passado Jaz”, da autoria de Valter Vinagre, com referência a vários eventos das Guerras Peninsulares ocorridos de norte a sul do país e de grande relevância histórica e artística; e o concerto da Banda dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, com a participação de vários coros convidados e a presença do Carrilhão Lvsitanvs.

Recorde-se que o festival Novas Invasões tem uma periodicidade bianual, tendo o seu conceito vindo a ser desenvolvido desde 2010, aquando das comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras.

Segundo refere João Garcia Miguel, membro da organização deste evento, a propósito do mesmo: "Há um espírito das coisas que é uma força invisível que torna o que é improvável num acontecimento especial, que leva a que os pequenos se unam para vencer e convencer os mais fortes. É esse o espírito que moveu no início o exército de Napoleão e Junot e foi a perda desse sentido de união e força acima das forças humanas que levou depois os franceses à desgraça. Foi por último esse espírito de união e transcendência que fez com que as Linhas de Torres sejam hoje para nós um exemplo de vida, uma força que move e constrói a nossa identidade. O Festival Novas Invasões celebra os valores da liberdade, da fraternidade, igualdade e solidariedade através das artes e da cultura unindo povos e pessoas". 

Novas Invasões 2017 foi uma organização da Câmara Municipal; contou com o patrocínio da Glory e Vimeiro; com o apoio institucional da Japan Foundation e da Embaixada do Japão; e com os apoios da Bang Venue, da Barraqueiro Oeste, da Extincêndios, da Cooperativa de Comunicação e Cultura, da Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro e Santiago, do Fórum das Associações Culturais de Torres Vedras, da International House e do Oeste Portugal.

De realçar o grande envolvimento do tecido associativo local no evento, para além de outros agentes, mais concretamente:

 

- Associação de Cultura e Recreio 13 de setembro de 1913 (Guerrilha de Montagraço)

- Sociedade de História Natural

- Rancho Folclórico e Etnográfico “Danças e Cantares do Furadouro”

- Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Rurais” do Furadouro

- Agrupamento de Escuteiros 983 (de S. Pedro da Cadeira)

- Centro Social Paroquial Sto. António de Campelos

- Centro Social S. José (Arneiros)

- Associação Musicálareira

- Associação Ministros e Matrafonas

- Pró-Memória - Associação Cultural e Etnológica de A dos Cunhados

- Centro Social Desportivo e Cultural da Pedra

- ATV – Académico de Torres Vedras

- Real Confraria do Carnaval de Torres Vedras

- AUTITV – Associação para a Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras

- Rancho Folclórico e Etnográfico “Flores do Oeste” (A dos Cunhados)

- Escola Profissional Agrícola Fernando Barros Leal

- Rancho Folclórico “Os Camponeses” do Varatojo

- Gaiteiros da Freiria

- Rufos e Roncos

- Cia Três Irmãos

- Cia Jenus

- Cia Boca de Cão

- Cia Petu Moon

- Cia Contos&Fábulas

- Manuk

- Albaluna

 

Alguns números do 2.º Festival Novas Invasões:

 

Participação em banca (80 bancas montadas)

Associações: 20

Operadores privados: 45

Representação de ofícios da época: 10

 

Voluntários envolvidos: 25

 

Dias 2 e 3 de setembro

Cortejos de abastecimento ao Forte de S. Vicente (desfile com carros de bois e burros): 100 participantes

 

3 de setembro

Encontro de Gaiteiros de Torres Vedras

10 grupos

55 executantes

 

Workshop de danças tradicionais com a Popolomondo – 50 participantes

 

Desfile das Luminárias: participação de cerca de 2500 pessoas