Torres Vedras

23 de dezembro de 2009. Quando o vento soprou mais forte

01.01.2020

Fotografia que mostra o Pinhal de Casalinhos de Alfaiata devastado após a passagem da ciclogénese explosiva.

O dia em que o vento soprou mais forte. Foi assim que o dia 23 de dezembro de 2009 ficou gravado na história da população do concelho de Torres Vedras, que, naquela madrugada, viu o território ser assolado por ventos ciclónicos. E se, no momento, foi apontado o registo de 130 km/hora, o Instituto de Meteorologia viria a detetar “uma pequena faixa onde o vento junto ao solo foi de 220 quilómetros por hora (km/h)”, escrevia o jornal Público a 13 de janeiro de 2010.

Foi entre as 3h00 e as 4h00 que o vento se fez sentir com mais intensidade, o suficiente para causar destruição um pouco por todo o Concelho. A ciclogénese explosiva afetou 25 hectares de espaços verdes, onde foram destruídas cerca de 2500 árvores, com o pinheiro-bravo a ser a espécie mais afetada.

A devastação fez-se sentir nos vários pontos que dão forma à mancha verde do Concelho, como no pinhal de Casalinhos de Alfaiata, na zona do ex-karting de Santa Cruz, no Choupal e na encosta do Castelo de Torres Vedras, assim como em vários pinhais de Póvoa de Penafirme. Mas a intempérie afetou especialmente o litoral, deixando um rasto de destruição no Parque de Campismo de Santa Cruz, na Colónia de Férias da Praia Azul e no parque de estufas.



O Plano Municipal de Emergência foi acionado, com todos os agentes da proteção civil operacionais e chegou a ser ponderada a hipótese de declarar estado de calamidade pública no concelho de Torres Vedras.

O temporal criou graves dificuldades aos agricultores do Concelho, que foram gravemente afetados pelos ventos ciclónicos. Logo naquele dia, António Serrano, então ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, transmitiu uma mensagem de solidariedade, confiança e ajuda a todos os que viram a sua atividade afetada.

O Governo anunciou o apoio de 50% a fundo perdido para colmatar os prejuízos apresentados pelos agricultores, visando a reativação de explorações e infraestruturas. Foi, ainda, criada uma linha de crédito de 50 milhões de euros que contribuíram para a redução dos encargos dos agricultores. Destes, quem contava com seguro de colheitas beneficiou, ainda, da ativação do fundo de calamidade agrícola.



Estas foram medidas que se aliaram à determinação dos agricultores, que rapidamente voltaram a erguer o setor, demonstrando a sua vitalidade e competitividade a nível nacional.

Mas a verdade é que os ventos ciclónicos de dia 23 de dezembro não afetaram apenas o meio agrícola. Foram vários os setores afetados, contabilizando-se inúmeros prejuízos em bens públicos e privados.

Enquanto as autoridades procediam ao desbaste e corte das árvores danificadas ou em risco de queda, as acessibilidades eram desobstruídas e os danos na rede de energia elétrica ainda afetavam o fornecimento de eletricidade, já a união da comunidade dava uma resposta quase imediata aos danos verificados um pouco por todo o Concelho.

A população do concelho de Torres Vedras uniu-se para dar resposta aos efeitos do temporal. É que às árvores somavam-se edifícios sem telhado e postes de eletricidade caídos, num concelho em que várias estradas tinham o trânsito cortado e as comunicações se faziam com dificuldade.



O temporal de 23 de dezembro de 2009 “juntou-se” às cheias de 1983, ficando na memória coletiva dos torrienses como uma das duas catástrofes que, na história contemporânea, assolaram o concelho de Torres Vedras.

A ocorrência deste fenómeno extremo funcionou como uma chamada de atenção para Torres Vedras. Se a pronta resposta da comunidade já refletia o trabalho do Município em torno do ambiente e da sustentabilidade, a ocasião levantou a necessidade de planear o trabalho na vertente da adaptação e mitigação das alterações climáticas.

Assim, em 2015 começou a ser desenvolvida a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas, a que se juntaram instrumentos como a Agenda Torres Vedras 2030. Passos fundamentais a que se aliam as boas práticas de desenvolvimento sustentável e que fazem com que o contributo de Torres Vedras seja fundamental para o combate às alterações climáticas.


Saiba mais sobre a resposta de Torres Vedras às alterações climáticas nos dez anos que se seguiram à ciclogénese explosiva.



Rita Santos

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