Torres Vedras

Fábio Inácio

09.05.2018

Fábio Inácio

“Sou um rapaz normal, da aldeia, onde sempre vivi até aos meus 26 anos.” É à beira do Oceano que banha Porto Novo e de olhos postos no mundo que Fábio Inácio se apresenta. Afinal, foi também ali que começou a fotografar os amigos que “davam cartas” no surf e no bodyboard.

Fábio não esconde o orgulho em ser torriense, mas também não consegue esconder que é um cidadão do mundo. Aliando duas paixões, a fotografia e a viagem, o jovem já viajou por 29 países, registando momentos e conhecendo povos, culturas e paisagens distintas.

Tudo começou com uma viagem à Indonésia, em 2010, em que acompanhou um grupo de surfistas com o intuito de os fotografar. “Mudou a minha vida”, diz, sobre o momento em que descobria o gosto pelas viagens. Dois anos mais tarde, havia de fazer dois interrails na Europa. Hoje, assume-se como um fotógrafo-viajante.

“Quando chego a algum sítio, tento aprender” explica, contando que raramente fotografa no primeiro dia em que chega ao destino, de modo a conhecer e a integrar-se no sítio onde está. É por isso que tenta ir a sítios diferentes daqueles a que a maioria das pessoas geralmente vai e que se esforça por viver da mesma forma que os locais vivem. “A minha maneira de viajar é assim. O objetivo é estar sempre o mais perto do povo.”

Não surpreende, portanto, que as pessoas sejam o que mais gosta de captar - de preferência longe de locais repletos de turistas, onde consegue ter um contacto mais “puro” com as comunidades e sociedades que visita.

Walking Around é o nome do livro em que mostra a viagem de 20 meses que começou em 2014 e em que percorreu Ásia, Oceania, Europa e África. Uma viagem “incrível” e contínua, onde só viu uma pessoa conhecida: um amigo que foi ter consigo ao Vietname durante 15 dias. Foi para aquele país que voltou depois de conversar connosco, desta vez em trabalho para a Wonderlust, a agência de viagens onde é o “melhor amigo” de grupos de viajantes no Vietname, na Índia e no Irão.

Um trabalho que já ocupa a maior parte do seu tempo, mas que continua a deixar espaço para outros trabalhos de fotografia. Mas apesar de os seus projetos pessoais passarem quase todos por estas duas paixões, o torriense está ainda envolvido num projeto de voluntariado em Kibera, no Quénia, onde passou os meses de dezembro e janeiro.

A fotorreportagem Walking Around teve uma “crítica muito interessante” e serviu de inspiração a muitos. Talvez por isso, admite que quer escrever outro livro, “quando tiver mais viagens e mais histórias.” Histórias como as da Birmânia ou do Irão, em que tantas vezes lhe abriram a porta de casa para uma refeição ou uma noite passada em família. “Isso encheu-me o coração”, confessa, sublinhando que são estes momentos que mostram a “pureza das pessoas”.

É por isso que, mais do que fotografias, as viagens que soma permitem-lhe acumular conhecimento e experiência. Mas a verdade é que o coração está sempre ligado a Torres Vedras. “Nascer ao pé da praia… Acho que é qualquer coisa incrível” diz, em jeito de desabafo, para depois defender que “não é preciso nada do outro mundo” para ter experiências como estas. “Arranjamos muitas desculpas. E não estou só a falar de viagens, estou a falar da vida. É deixar as desculpas e fazer. Às vezes não conseguimos, mas ao menos tentamos.”

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