Torres Vedras

Histórias com Vinho - A vindima mecânica e a vindima manual

01.09.2018

“Até ao lavar dos cestos é vindima”

No ano em que Torres Vedras e Alenquer são “Cidade Europeia do Vinho”, partilhamos consigo histórias ligadas a esta celebração. Com a chegada das vindimas, cabe aos produtores decidir qual é o método que pretendem utilizar para colher as uvas. Nesta edição, apresentamos as diferenças entre a vindima mecânica e a vindima manual. Contamos esta “história” com a ajuda de Francisco Santos e Carla Latas, da empresa Santos & Santos, e de Afonso Marques, da empresa Vale da Capucha.

Se antigamente a vindima era toda feita à mão, o aumento da área de vinha, a escassez de mão de obra e os elevados custos de produção levaram a maior parte dos produtores do Concelho a optar por recorrer a máquinas. A Santos & Santos é uma das empresas locais que enveredou pelo método mecânico há cerca de 20 anos.

Economicamente mais rentáveis e muito mais rápidas, as máquinas de vindimar vieram dar resposta às necessidades dos grandes produtores. Dotadas de uma tecnologia de sucção, permitem fazer a seleção das uvas com a consistência correta, garantindo assim a qualidade do produto final.

A evolução tecnológica a este nível trouxe muitas vantagens e acima de tudo reduziu o tempo de vindima. A rentabilidade deste método é um das principais razões que leva muitos produtores a preferir a vindima mecânica. “Uma máquina normalmente - esclarece Francisco Santos - apanha um hectare de vinha em uma hora e meia, para apanhar essa mesma área são precisas cerca de 25 pessoas a trabalhar durante oito horas”.

Se por um lado a mecanização conquista cada vez mais produtores, por outro, há quem faça prevalecer os métodos tradicionais. E quando a intenção é produzir um vinho de excelência, até as empresas que preferem a vindima mecânica optam pela apanha à mão. “Os vinhos de topo e vinhos de reserva são todos vindimados à mão para que haja uma seleção das uvas”, clarifica Carla Latas.

A Vale da Capucha é uma das casas agrícolas torrienses que mantém a tradição de mais de cem anos e faz toda a vindima de forma manual. Este método permite fazer uma seleção mais minuciosa das uvas e, ao contrário do que acontece nas máquinas de vindimar, o engaço é colhido juntamente com a uva. O grande obstáculo à vindima manual está nos custos que acarreta e na falta de mão de obra. “Há muita dificuldade em arranjar mão de obra”, afirma Afonso Marques.

Agora sem as celebrações de tempos passados, a vindima manual continua a significar um momento de convívio e de muito trabalho. Reúnem-se os trabalhadores, as tesouras e as caixas de plástico e colhem-se cuidadosamente os cachos de uva. A “bucha” a meio da manhã mantém-se e a pausa para almoço é aproveitada para descansar e pôr a conversa em dia. As uvas seguem depois para a adega onde se inicia o processo de produção do vinho.

Apesar das máquinas de vindimar serem cada vez mais evoluídas e precisas na colheita das uvas, continua a haver quem não substitua uma mão experiente por uma máquina. Na altura das vindimas, cabe, por isso, a cada produtor decidir qual é o método que melhor se adapta às suas vinhas, pensando sempre no perfil dos vinhos que pretende produzir.


Filipa Sérgio

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