Torres Vedras

Torres Vedras, nas Rotas de Sefarad

01.04.2019

Fotografia do exterior do Centro de Interpretação da Comunidade Judaica, onde se pode ver o seu edifício e a sua envolvente composta por relvado e árvores.

Em meados do séc. XIII, Torres Vedras tinha uma importante comunidade judaica, na qual se distinguia a família Guedelha.

Na vila, a Judiaria (ou alfama) abraçava a sinagoga que tomava um lugar de centralidade na comunidade e no bairro judaico onde viviam, em 1381, cerca de 25 famílias.

Para conhecer esta história fomos visitar o Centro de Interpretação da Comunidade Judaica, situado no topo da cidade junto ao Castelo.

À chegada, destaca-se a cor das janelas e portadas da casa, pintadas de verde água, em contraste com os tons predominantes do centro histórico. Entramos e somos, calorosamente, recebidos com algumas explicações e curiosidades sobre o centro de interpretação que pretende promover, valorizar e respeitar a memória judaica no município.

Seguimos o circuito de visita e, assim que entramos na primeira sala, reparamos que, ao fundo, numa das janelas quadriculadas, uma das molduras destaca a Serra e Capela de Nª Sra. Do Socorro.

As paredes desta sala contam-nos as histórias sobre as origens dos judeus, em especial os sefarditas (designação dos judeus oriundos da Península Ibérica), e a sua presença durante a Idade Média em Portugal. Seguimos os painéis, envolvidos nas histórias que vamos lendo, e que retratam a presença judaica em Torres Vedras, com referências a judeus ilustres, rabis-mores e, claro, à família Guedelha.

Ao centro, um grande mapa de Torres Vedras, na época medieval, assinala a presença judaica na vila e termo do território.

Passamos à segunda sala que relata e caracteriza a judiaria de Torres Vedras; a localização do bairro judaico; as portas da judiaria; as atividades desenvolvidas pelos judeus (que eram sobretudo artesanais, pequeno comércio e atividade financeira) e os judeus torrienses.

No primeiro piso do centro de interpretação, outra sala, cujos conteúdos narram os conflitos com os cristãos, a expulsão e conversão forçada dos judeus, a cristianização da antiga judiaria, os cristãos novos e a inquisição em Torres Vedras.

No final da visita, contornamos o centro de interpretação e, no pátio contíguo ao edifício, encontramos um lugar perfeito para repousar, rodeado pelo casario e os típicos beirais que marcam os socalcos e apontam para a paisagem que nos circunda. O relvado convida a sentar e, junto a uma oliveira, fechamos os olhos e aproveitamos os últimos raios de sol que nos aquecem a face numa tarde de inverno.

A comuna judaica torriense, uma das mais ricas da Estremadura, alicerçava a sua prosperidade, sobretudo, na exploração agrícola e na atividade comercial.

A Rede de Judiarias de Portugal – Rotas de Sefarad tem por objetivo uma atuação concertada na defesa do património urbanístico, arquitetónico, ambiental, histórico e cultural, relacionado com a herança judaica.

Horário de Funcionamento

Setembro a maio | 10h00 – 13h00 | 14h00 – 18h00

Junho a agosto | 10h00 – 13h00 | 14h00 – 19h00

Informações e marcação de visitas | cijtv@cm-tvedras.pt

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