Agenda
Poesia Viva | No Feminino
Temporada Darcos 2026
19 de setembro de 2026 | sábado
|
18h00 | 21h30
Local: Espaço Darcos, Av. Tenente Valadim, 10-B, Torres Vedras
Esta atividade integra o(s) programa Temporada Darcos 2026 - 19.ª edição
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) é uma referência incontornável da produção cultural e literária portuguesa de todos os tempos. Para a autora, poesia é “a relação do homem com a realidade, tomando-a na sua pura existência”. Nesse encontro, ambos se olham como “amantes”, porém jamais unidos. Por isso, o poeta escreve com desencanto a respeito de tal impossibilidade. Já o poema é a invenção da poesia, “um objeto a mais no mundo, uma realidade entre as realidades”, que surge da necessidade do poeta de transfigurar a própria vida em coisas naturais. Dessa forma, é o intermediário, procurando o acordo entre o poeta e a poesia.
Oferecendo uma gama de imagens recorrentes do universo simbólico feminino, a poesia de Sophia Mello Breyner mostra as várias possibilidades de as mulheres testemunharem existências éticas e, em última análise, constitui uma rebelião contra o que se esperava da mulher na sociedade patriarcal portuguesa de então: ser capaz, em nome da família e da sua demanda, de renúncia. Dificilmente encontraremos melhor definição da poesia de Sophia de Mello Breyner, do que a que traçou Eduardo Lourenço (1923-2020), partindo do conceito da antiguidade clássica, de Sophia como sabedoria: “Sophia, sabedoria mais funda do que o simples «saber», conhecimento íntimo, ao mesmo tempo atónico e luminoso do essencial, comunhão silenciosa e sem cessar reverberante com tudo aquilo que, por original, a reflexão e seus intérminos labirintos deixarão intacto”.
A embalar esta poesia, no feminino, escutaremos sete miniaturas do ciclo para piano Cenas infantis, op.15, de Robert Schumann (1810-1856), escrito em fevereiro de 1838. Ao contrário do que o título possa antever, esta obra não foi escrita com objetivos pedagógicos. Nas palavras do próprio Schumann, ainda que “em cada criança se encontra uma profundidade maravilhosa”, Cenas infantis eram “olhares retrospetivos de um pai para adultos”. Em 1839, quando as 13 miniaturas foram publicadas pela Breitkopf & Härtel, Schumann acrescentou os títulos, como ideias poéticas que fornecessem “pequenas dicas” para a execução e compreensão da música. Deste ciclo, passariam à História pelo seu inexcedível lirismo, o n.º 1, Von fremden Ländern und Menschen [De países e pessoas estranhas] e o n.º 7, Träumerei [Devaneio].
R. Schumann (1810 – 1856)
Cenas infantis, Op. 15
com poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen
Paula Lobo Antunes, declamação
Helder Marques, piano
Nota: entrada gratuita, mediante inscrições.
Inscrições: info.darcos@gmail.com
Organização: Câmara Municipal de Torres Vedras, Teatro-Cine de Torres Vedras e Darcos - Associação Cultural
Atividade Gratuita



