Torres Vedras

Convento da Graça

18.05.2026

Imagem antiga do Convento da Graça

Em tempos idos Torres Vedras foi também terra de frades. Durante séculos os religiosos da Ordem de Santo Agostinho estiveram pela então vila de Torres Vedras, fixando-se primeiro num edifício construído na Várzea Grande, defronte da Igreja de Santiago, a partir da segunda metade do século XIV (onde, refira-se, viveu São Gonçalo de Lagos), o qual foi abandonado (devido à exiguidade do seu espaço e da sua área exterior e ao facto de ser frequentemente assolado por cheias da ribeira do Alpilhão); e, posteriormente, no espaço que é atualmente conhecido como o Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras, que foi edificado a partir de meados do século XVI na área que pertencia ao hospital de São Lázaro, que era também conhecido como hospital de Santo André (o qual era dedicado ao tratamento de doentes leprosos).

Localizado junto à estrada que ligava Torres Vedras a Lisboa, numa área que se situava para além das muralhas, esse hospital já seria muito antigo no século XVI e teria, na altura, uma larga cerca e alguns bens patrimoniais, entre os quais uma vinha, uma almuinha e uma fonte.

Por volta de 1559 teve início a construção do novo convento agostiniano de Torres Vedras, o que implicou a destruição de pré-existências, sendo que a mesma terá sido concluída antes do final da centúria de quinhentos. Sabe-se que em 1834, quando todos os bens do Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras são inventariados, o edifício desse convento possuía nos seus dois pisos um vasto conjunto de compartimentos (como uma portaria, a casa da Irmandade dos Passos, a sala do Capítulo, a sala De Profundis, um refeitório, uma cozinha, um celeiro, uma adega, um lagar, uma capela, uma livraria, uma hospedaria e três dormitórios, sendo que um deles funcionava como gafaria). A este propósito, refira-se que quando o espaço do hospital de São Lázaro de Torres Vedras passou para a posse da Ordem de Santo Agostinho, a 20 de outubro de 1544, foi imposta a condição de nesse espaço existir futuramente um compartimento, dentro ou fora do edifício do convento que se iria construir, para recolher e tratar os doentes de lepra. Ainda recuando a 1834, sabe-se igualmente que o Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras era composto, em termos de espaços exteriores, pelo claustro, por um pátio (onde existiam duas cavalariças, um palheiro, uma casa de despejos e uma alpendrada) e por uma área mais vasta, delimitada por uma cerca, onde havia uma vinha, muitas árvores de fruto, oliveiras, parreiras, uma horta e um poço. Já a igreja do Convento era constituída pelo corpo da mesma, por várias capelas, pelo coro, por uma sacristia, por uma casa do relógio e por uma torre.

Com a expulsão de Portugal das ordens religiosas, em 1834, o convento que então existia em Torres Vedras viria a ser vendido a particulares, tendo, ainda no século XIX (em 1887), o edifício do mesmo sido adquirido pela Câmara Municipal, devido à necessidade de aí se instalar “as repartições da administração do Concelho e fazenda, a recebedoria, os quartéis militares, a escola primária, o hospício e a cadeia civil” (1). Algumas décadas mais tarde, em 1926, também a Câmara Municipal adquiriu a “cerca” que pertencera ao segundo convento agostiniano de Torres Vedras, ou seja, a maior parte da área exterior que estivera afeta ao mesmo, para, neste caso, se construir “abegoarias, logradouros, novas ruas municipais e as novas cocheiras da Guarda Nacional Republicana” (2).

Já na parte final do século XX (entre finais da década de 80 e inícios da de 90), o edifício desse convento foi alvo de obras de requalificação, tendo nessa sequência acolhido o Museu Municipal e um Gabinete de Apoio Técnico afeto à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (cujo funcionamento cessou na primeira década do presente século). Anteriormente, tinham deixado de funcionar no edifício do Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras vários serviços, como, por exemplo, alguns da Câmara Municipal, os da Junta de Freguesia de São Pedro e Santiago, o posto da Guarda Nacional Republicana, o Tribunal Judicial, a Conservatória do Registo Civil e a Tesouraria da Fazenda Pública.

É também de referir que, desde 1834, no claustro do Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras havia uma divisão a separar o espaço profano do sagrado, a qual deixou de existir há cerca de 30 anos (na sequência de um acordo assinado em 1995 entre a Câmara Municipal e a Fábrica da Igreja Paroquial de São Pedro e Santiago), quando foi demolido o muro que então fazia essa divisão.

Uma menção também para as obras profundas que foram realizadas na Igreja da Graça de Torres Vedras, entre 1983 e 1992, o que levou ao encerramento da mesma durante vários anos.

 

 

(1)   SILVA, Paula Correia, O Convento da Graça de Torres Vedras – a comunidade eremítica e o património, Torres Vedras, 2007    

(2)   idem




Última atualização: 18.05.2026 - 16:53 horas
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