Leonel Trindade
27.01.2025

Leonel de Freitas Sampaio Trindade terá sido um dos vultos maiores da vida cultural torriense no século XX.
Nascido a 16 de julho de 1903 em Torres Vedras, desenvolveu um importantíssimo trabalho sobretudo na área da Arqueologia no Concelho e também em outros locais da região, como autodidata, colaborando com importantes figuras do panorama científico nacional e internacional, facto que o levou a granjear prestígio em meios académicos e científicos aquém e além-fronteiras.
Tendo completado em 1921 a 5.ª classe na Escola Secundária Municipal, não viria a seguir os estudos superiores na área da Engenharia, como era seu desejo, mas viria a colaborar ativamente com o Museu Municipal desde a fundação deste, o que aconteceu em 1929.
Cinco anos mais tarde assume o cargo de diretor adjunto desse equipamento municipal e, no ano seguinte, em 1935, realiza a sua primeira escavação sistemática, na gruta da Cova da Moura.
Ao longo de cinco décadas, Leonel Trindade realizou explorações arqueológicas e também paleontológicas no Concelho, tendo descoberto dezenas de jazidas, das quais se destaca o Castro do Zambujal, atualmente reconhecido como um dos mais complexos povoados fortificados pré-históricos existentes na Península Ibérica.
17 anos após a sua descoberta, o Castro do Zambujal começa em 1957 a ser alvo de escavações pela mão de Leonel Trindade, sendo que os trabalhos nesse sítio arqueológico contam, de 1964 a 1973, com a colaboração do Instituto Arqueológico Alemão e do Instituto de Pré e Proto História da Universidade de Friburgo.
A este propósito refira-se que em 1967 Leonel Trindade torna-se membro correspondente do Instituto Arqueológico Alemão, tendo quatro anos antes adquirido o estatuto de sócio correspondente da Associação de Arqueólogos Portugueses.
De referir também outros trabalhos de campo de Leonel Trindade para além dos que levou a cabo na gruta da Cova da Moura e no Castro do Zambujal, como os realizados na estação paleolítica do Rossio do Cabo (Santa Cruz), no Tholos de Paimogo, na necrópole de Cabeço de Arruda, na jazida paleolítica de Vale da Almoinha (Cambelas) e na póvoa eneolítica do Penedo. É igualmente de referir que a par dos seus trabalhos de campo, esse investigador colaborou na elaboração de um considerável número de artigos científicos, alguns com eco no estrangeiro.
Em 1969 Leonel Trindade é nomeado diretor do Museu Municipal, o qual viria a ter o seu nome por deliberação camarária de 19 de maio de 1997. Uma homenagem a título póstumo.
No entanto foram várias as homenagens que Leonel Trindade recebeu em vida: em 1967 foi alvo de uma homenagem pública prestada pela Câmara Municipal; em 1979 recebe a medalha comemorativa da elevação de Torres Vedras a Cidade, por serviços prestados; em 1983, pelo seu 80.º aniversário, recebe a visita do presidente do Instituto Arqueológico Alemão, que lhe confere a medalha de prata dos 150 anos deste instituto; e, em 1987, na abertura das primeiras Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, é lhe entregue a medalha de mérito municipal grau ouro.
Refira-se ainda que, paralelamente à sua atividade de investigador, Leonel Trindade foi comerciante em Torres Vedras.
Faleceu a 4 de janeiro de 1992 na localidade em que viveu durante toda a sua vida.
Nomes de relevo da Arqueologia trabalharam com Leonel Trindade, como Leite Vasconcelos, Vera Leisner, Jean Roche, Henri Breuil, Eugénio Jalhay, Veiga Ferreira, Helmut Schlunk, Hermanfrid Schubart, Edward Sangmeister, Beatrice Blance, Konrad Spindler, Michael Kunst, entre outros.
Fotografia cedida pela família de Leonel Trindade